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Veneza Está Afundando? O Que Está Acontecendo com a Cidade e o Que Diz a Ciência

Veneza, na Itália, enfrenta enchentes cada vez mais frequentes. Veja por que a cidade está afundando, quais são as causas científicas e o que esperar nos próximos anos.

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Redação Portal Maracanaú 14 de setembro de 2026, 12h04 · 5 min de leitura

Veneza Está Afundando? O Que Está Acontecendo com a Cidade e o Que Diz a Ciência

Veneza, uma das cidades mais românticas do mundo, enfrenta uma crise silenciosa e irreversível: ela está literalmente afundando. Em 2026, a situação acelerou, com enchentes quebrando recordes de altura e frequência. Não é mito nem exagero — é ciência. Entenda o que está acontecendo, por que acontece e o que isso significa para o futuro da Rainha do Adriático.

Por Que Veneza Está Afundando? A Ciência Por Trás da Crise

Veneza não é vítima de um único problema — são dois fenômenos que acontecem simultaneamente e se amplificam um ao outro.

Primeiro, há o afundamento geológico. A cidade foi construída sobre uma lagoa rasa, em solo feito de lama, lodo e detritos depositados ao longo de séculos. Esse solo é compressível — ou seja, sob o peso da própria cidade, ele se compacta e desce. Desde o século 15, Veneza desceu quase 30 centímetros por causa disso. Parece pouco, mas em uma cidade ao nível do mar, qualquer centímetro conta.

Segundo, e mais crítico, há a elevação do nível dos oceanos causada pelo aquecimento global. Entre 1990 e 2026, o nível do Adriático subiu cerca de 30 centímetros — exatamente o mesmo que Veneza afundou. Isso significa que a situação é dupla: a cidade desce enquanto a água sobe. O efeito combinado faz com que a lagoa pareça estar invadindo a cidade cada vez mais agressivamente.

Os pesquisadores do Centro de Pesquisa Oceanográfica da Universidade de Veneza confirmam que, se o aquecimento global continuar no ritmo atual, o nível dos mares subirá mais 60 centímetros até 2100. Para Veneza, isso é catastrófico.

As Enchentes de 2026: Números e Registros Quebradores

2026 foi particularmente devastador para Veneza. Em setembro, a cidade registrou enchentes de nível crítico em mais de 10 ocasiões — uma frequência alarmante. A Torre de São Marcos, no coração de Veneza, foi submersa várias vezes em semanas consecutivas.

A "acqua alta" (nome local para as enchentes) costumava acontecer 10-15 vezes por ano nos anos 80. Em 2024, eram 80 vezes. Em 2026, esse número disparou. Estudos indicam que essa aceleração é linear e previsível: a cada ano, o número de enchentes aumenta proporcionalmente ao aquecimento do planeta.

Os moradores, que costumavam usar plataformas móveis para caminhar pelas ruas inundadas, agora precisam de equipamento de proteção especial. Casarões históricos absorvem água salgada, danificando estruturas de madeira e fundações. Lojas e residências no térreo precisam ser esvaziadas regularmente.

O economista da Universidade de Pádua relatou que o custo anual de danos a propriedades em Veneza agora ultrapassa R$900 milhões. Não é sustentável.

O Mose: A Barreira Que (Quase) Salva Veneza

Em resposta à crise, a Itália construiu o MOSE — um sistema de barreiras móveis que fecham a entrada da lagoa quando o nível do mar fica perigosamente alto. Operacional desde 2020, o sistema é uma engenharia impressionante: 78 comportas de metal de até 20 metros que se levantam do fundo do mar.

O MOSE funcionou bem entre 2020 e 2025, protegendo Veneza de dezenas de enchentes potenciais. Mas em 2026, o sistema começou a mostrar limites. Em vários eventos de enchente, o MOSE precisou ficar ativado por 72 horas ou mais — além do recomendado. Isso causa problemas: a lagoa fica isolada, a circulação de água é prejudicada, e aumenta a poluição.

Além disso, o MOSE é uma solução temporária. Enquanto a água continua subindo, as comportas precisarão ficar fechadas cada vez mais vezes, até que um dia a solução se torne impraticável.

O Que Esperar: Cenários Futuros e Advertências Científicas

Os dados são claros e assustadores. Se nada mudar:

Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertam que esse cenário é evitável, mas o tempo está acabando. Reduzir as emissões de carbono agora pode desacelerar a elevação dos mares e, teoricamente, dar mais tempo a Veneza.

Algumas propostas radicais já circulam na Itália: mover a cidade para a terra firme, ou afundar edifícios históricos em estruturas submarinas de proteção. Nenhuma solução é simples ou barata.

Por Que Isso Importa Para Você

Veneza é um símbolo. Se uma cidade com tanto capital histórico, cultural e econômico não conseguir se defender do aquecimento global, o que dizer de cidades menores e menos preparadas espalhadas pelo mundo? Bangladesh, Indonésia, Filipinas, e até regiões do Brasil enfrentarão crises ainda piores nos próximos anos.

A história de Veneza é um alerta: o planeta está mudando mais rápido que nossas cidades conseguem se adaptar.

Perguntas Frequentes

P: Veneza vai desaparecer completamente? R: Não completamente, mas será praticamente inabitável na forma que conhecemos. O MOSE e possíveis melhorias podem estender sua viabilidade até 2080 ou 2090, mas sem redução global de carbono, é apenas um atraso.

P: O MOSE resolveu o problema? R: Resolveu temporariamente. É uma barreira defensiva, não uma solução permanente. Enquanto a água continua subindo, o MOSE precisará ficar ativado cada vez mais frequentemente.

P: Qual é a velocidade de afundamento de Veneza? R: Veneza afunda aproximadamente 1-2 milímetros por ano por compactação do solo, enquanto o nível do mar sobe 3-5 milímetros ao ano. Juntos, o efeito é de 4-7 milímetros por ano — muito rápido em termos geológicos.

P: Outros lugares no mundo enfrentam problemas similares? R: Sim. Jacarta (Indonésia), Nova Orleans (EUA), Miami (EUA) e Roterdã (Holanda) vivem situações comparáveis, algumas piores que Veneza.

O que Fazer?

A crise de Veneza é um chamado global. Não é romantismo — é ciência. Cidades litorâneas ao redor do mundo precisam urgentemente de políticas de adaptação e mitigação de carbono. Veneza pode não ter salvação, mas cidades como a sua ainda têm tempo.

O futuro depende das decisões que tomamos hoje.

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